header image headerimage
 

::Quem somos::
Somos seis amigos de estados diferentes, mantemos um blog para nos comunicarmos e expressarmos nossos pensamentos.

::Quem Lemos::
Jogo da Dama
de que jeito?
Fornicatum est
Jesus me Chicoteia
Mundo Perfeito
Bico de Pena
O Incontestavel
Possibilidades
Utopia Dilucular

::Quem Fomos::




quinta-feira, junho 19, 2003

 
Meu Anjo

Quero falar do meu anjo. Quero falar com meu anjo. Na realidade gostaria de colocá-lo no colo, fazer um cafuné e ficar horas ao seu lado, nem que seja para ouvi-lo dizer sobre as maravilhas de Porto Alegre e a decadência de São Paulo.
Eduardo é um rapaz difícil. É quase tão paradoxal quanto eu. Ora se acha um cara brilhante, ora se acha o pior ser da face da Terra. Mostra-se tão seguro de si que até convence a maioria das pessoas, mas no fundo é um menino inseguro e perdido. Sinto-me um pouco mãe dele sim. Não vejo problema algum em sentir-me assim e ainda chamá-lo de anjo. Aliás, ele sempre me disse que quando eu o chamo de "meu anjo", ganho um ar maternal, pois a mãe dele o chamava assim.
Apesar do ar de desprotegido, ele também me ajudou muito durante esses três anos que nos conhecemos. Quando eu tinha um pesadelo, era como se ele adivinhasse e ficava online no icq me esperando para que eu pudesse conversar com alguém. Era como se segurasse minha mão e dissesse: "calma, foi só um sonho ruim." Era o anjo que me protegia dos seres maus que invadiam meu sono.
Às vezes eu penso que seria melhor tê-lo conhecido em outra época. Não foi um momento bom da minha vida, tudo estava de pernas pro ar, eu mal tive tempo de olhar direito para ele, de mostrar os lugares que eu costumo ir, de falar sobre como algumas coisas, dessa cidade cheia de defeitos, me encatavam. Contudo, como escolher um outro momento para um anjo me visitar? Anjos chegam nas horas mais difícies, eles são enviados para nos carregar, nos abraçar e mostrar que mesmo tudo estando ruim, mesmo nos sentido sozinhos, às vezes, não estamos e somos muito amados. E foi exatamente o que Eduardo fez: mostrou-me o quanto eu sou amada, o quanto sou importante para alguém e que ele está próximo, não importa onde ele esteja.
Eu queria ter sido uma anfitriã melhor, gostaria de demonstrar mais todo meu amor por ele e dizer o quanto é importante a sua existência em minha vida. Se sem Gala, Dali não era Dali; sem Ed eu não sou Luar. Definitivamente não, pois graças a ele eu conheci o meu sobrinho e a Fabiana. Foi por causa do meu "pseudonamorovirtual" com Ed Mort que todas essas pessoas maravilhosas das quais falei nesse blog, entraram na minha vida. Se não o tivesse conhecido naquela noite em que eu, o GS, o Davi e ele, fundamos a SALPA (Sociação Atlética dos Lésbicos de Porto Alegre), eu não teria mais voltado naquele chat. Eu já havia feito meu trabalho e achava esse "negócio" de internet coisa de nerd que não tem mais o que fazer. Porém, Eduardo me mostrou que esse negócio de internet aproxima pessoas que jamais se conheceriam se não existisse esse meio de comunicação.
Quantos momentos bons passamos juntos, mesmo sem nunca termos nos visto. Eu não sabia como era meu anjo, só sabia que ele era gigante. Gigante em tudo: no tamanho, no coração e na alma. E foi por isso que, mesmo sonolenta, de pijamas, com o cabelo na cara, o reconheci assim que ele apareceu no portão de desembarque. Eu sempre senti meu anjo, sempre o tive ao meu lado.
Uma vez, na nossa briga histórica, no chat de cinema do Terra, em que eu simulei uma cena de ciúmes e até a Fabiana acreditou na nossa brincadeira, Ed Mort disse para Luar que quando nós morressemos, Deus iria falar para ela: "O que vocês estão fazendo separdos? Eu o criei para você". Tá certo que era uma brincadeira, ninguém nasce especialmente para um outro alguém, afinal, seria muito injusto nascer para uma pessoa. Contudo, Ed Mort nasceu para Luar e Luar para Ed Mort. Acho que criei essa personagem para conhecê-lo e através dele conhecer pessoas maravilhosas. E há uma parte de mim, da Niti, apelido que tornou-se meu nome praticamente e só pessoas que fazem parte da minha vida me chamam assim, nasceu para Eduardo. Há uma parte de mim que só aparece quando ele está por perto. Essa Niti sorri, porque sabe que ele irá sorrir sabendo disso. Essa Niti é forte, segura de si e até um pouco ciumenta. Pois é, duas pessoas, além da minha mãe, conseguem fazer com que eu sinta ciúmes: Eduardo e Fabiana . Mas não é ciúmes que a gente tem porque não quer ver o outro gostando de alguém. Não é isso, o meu ciúme do Eduardo é um receio de que o meu guri se esqueça de mim, afinal, há uma distância tão grande nos separando. Além da distância geográfica, agora também tem a distância de horários.
Só que esse receio passa logo, pois mesmo estando há um tempão sem falar com ele, se nos encontramos na net eu já recebo logo uma mensagem escrita: "AMOR!!! Saudades..." - ou então um telefonema dizendo o mesmo.
Eu sinto uma saudade eterna e ao contrário do que o sobrinho pensava, o nosso tão adiado encontro não fez com que eu matasse essa minha saudade. Pelo contrário, fez com que ela aumentasse. Porém, eu ainda trago em mim o abraço apertado que ele me deu no dia da despedida. Ouço sua voz dizendo que essa viagem tinha sido a melhor falência da vida dele. Sinto seu abraço, sinto seu carinho e não tenho mais medo de dormir quando tenho um pesadelo, porque meu anjo está ali e mesmo que meus receios, vãos receios, eu sei, mas mesmo que eles se tornem verdade e eu perca o contado com Edu, tudo já valeu muito e os meus momentos são iluminados pela beleza do que aconteceu entre nós. Pela beleza dessa amizade que transcende tempo, espaço e sentimento.

Poema:
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás






This page is Powered By Blogger. Isn't yours?