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Somos seis amigos de estados diferentes, mantemos um blog para nos comunicarmos e expressarmos nossos pensamentos.

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sábado, maio 03, 2003

 
Minha foto na carteira

Estou aqui com quatro fotos 3x4 jogadas na minha mesa de estudos. Então, lembrei de uma música que a Bethânia canta no CD "Diamante Verdadeiro" que é do Carlinhos Brown e da Marisa Monte. Apesar de não gostar muito dos dois, a Bethânia deixou essa música tão linda intercalando com "Sonho meu" de D. Yvone Lara e Delcio Carvalho, tornando-a perfeita e prestando atenção na letra, com exceção de um dos versos, a música é realmente parecida comigo.

Eu queria que você viesse

Eu queria que você viesse
Penso tanto que quase acontece
Porém, se eu decidir não me enganar assim
Talvez o meu pranto tenha fim
Se você ouvisse a minha prece
Não quisesse me ver tão aflita
Sonhar não custa nada
Eu quero tanto ainda
Grata te daria uma saliva

Junto com você a vida impera
NOSSO 3X4 NA CARTEIRA
Vendo a meia-lua, a luz e meia
Rogo que me faça uma visita

Eu sonho tanto, porque tanto lhe amo assim
O Sonho é santo porque traz você pra mim.









sexta-feira, maio 02, 2003

 
28 ANOS

Hoje meu irmão faz 28 anos. Li um livro uma vez em que o rapaz aos 28 anos de idade descobre ter o nariz torto e a partir dessa descoberta se descobre um, nenhum e cem mil. Esse é o nome do livro, aliás: Uno, nessuno e cento milla, do Pirandello.
Meu irmão é um, é único, às vezes é nenhum, mas outras é cem mil. Qualquer pessoa que o conhecer pessoalmente perceberá o quanto ele é um cara legal. Eu não sei muito o que dizer sobre ele, só sei que eu o admiro, assim, de longe, distante e sem graça.
Foi ele quem me deu o apelido, foi ele quem fez todas as pessoas me chamarem de Niti, ou Nite, não sei direito como escreve, ele nunca me disse. Adotei Niti para não acreditar que, desde os 2 anos, já me achava uma inflamação.
É isso.
Parabéns!





quinta-feira, maio 01, 2003

 
Devias vir para ver meus olhos tristonhos.




Fabi, vai recusar meu apelo? Sua mami está muito triste e precisa do seu colinho!!!






 
Triste

Então, ele se foi e a notícia me foi dada como sua morte, assim, sem anestesia e de um jeito banal. Um dos "meus guris" foi assassinado. Eu não agüento mais esse mundo em que se mata por bobagem. Não agüento mais ser uma mina, como diz minha filha, e morar em um lugar em que quando você vai no bar comprar um cigarro as pessoas te dizem com um sorriso na boca:
-Sabe quem morreu?
E começam a fazer teorias e dizer as diversas possibilidades dessa morte e também sobre a pessoa que apareceu assassinada. Não quero mais ser uma intelectual chata que fica fazendo teorias sobre o universo cultural de moradores de favelas e periferia de São Paulo. CHEGA! Não quero mais ver a morte desse modo banal, não quero mais saber que um garoto que vi crescer foi assassinado.
E o meu guri era terrível. Respondia, ofendia, era agitado e adorava jogar futebol. Até que um dia um câncer o impediu de jogar futebol, imobilizou o seu joelho. Um câncer raro nos ossos que já havia levado sua mãe. Então, ele mudou, ficou mais quieto, não respondia mais e só ficava olhando os outros jogarem futebol. Íamos para a quadra e ele ficava discutindo comigo sobre o "Corinthians" e tirando sarro da minha cara por eu torcer para o Fluminense que, na época, estava jogando a terceira divisão.
Mas ele venceu o câncer. Parou de mancar, voltou a estudar e jogar futebol. Ele estava jogando futebol e me contou isso com a felicidade que só as pessoas que ainda conseguem sonhar podem ter. Ele conseguia sonhar, ele me dava vontade de continuar sonhando. E de repente, esse mesmo sonho o levou. Meu guri morreu em um briga idiota por causa de um jogo de futebol.
MEU DEUS! Que mundo é esse em que as pessoas perdem a vida assim? Perdem a vida por um motivo tão bobo e depois de terem lutado tanto para continuar vivendo? Será que estamos no tempo em que "não se diz mais Meu Deus", como disse Drummond, e ninguém me avisou nada?
Se estamos, eu não quero estar. Eu não quero mais saber que alguém morreu, digam-me, por favor, que alguém viveu.
Digam-me que meu guri viveu, tá jogando futebol em algum lugar. "Tá lindo de papo pro ar", e eu vou ali, tentar não perder de vez a vontade de sonhar.

O meu guri
Chico Buarque/1981

Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri







domingo, abril 27, 2003

 
Incógnita

Estou "x". Muito X! Estou com a sensação de que algo vai me acontecer, não sei se é bom, ou se é algo ruim, mas que vai acontecer. Estou tendo pesadelos demais. Eu tenho o que os médicos chamam de "Terror Noturno". Todas às vezes em que sonho com algo me acontecendo, sinto todas as dores, mesmo sabendo que é um sonho. Por exemplo, ontem à noite, sonhei que estava andando por uma rua e um homem que eu não via o rosto me batia com uma garrafa de vidro. Eu tentava gritar, mas a voz não saía, tentava acordar, mas não conseguia. Passo a noite inteira lutando entre a insônia e o precisar acordar para não sentir dor. Então, fico com medo de dormir porque sinto dor quando durmo, mas preciso dormir para conseguir fazer todas as minhas obrigações do dia seguinte. E não adianta tomar remédio pra dormir, porque é pior, passo a noite inteira sem conseguir acordar e sentindo as dores que meus sonhos ruins proporcionam.



 
Chico

Ontem, eu e uma amiga da faculdade, também apaixonada por Chico Buarque e companheira de "cantadas musicais", ou seja, com citações de versos de músicas do Chico, estávamos discutindo sobre suas músicas. É impressionante, como é "de lei" ouvir algumas músicas seguidas de outra. Chamamos tais músicas de "músicas irmãs".
Então, vai a dica:
Ouçam "Todo Sentimento" e depois "Valsa Brasileira".
"Retrato em branco e Preto" e depois "Pois é".
"Folhetim" e logo em seguida "Sob Medida".
Tem outras, mas não vou bombardear vocês com teses sobre Chico Buarque. Agora uma letra para homenagear meu genro e minha filha:

Realejo
(Chico Buarque)

Estou vendendo um realejo
Quem vai levar
Quem vai levar
Já vendi tanta alegria
Vendi sonhos a varejo
Ninguém mais quer hoje em dia
Acreditar no realejo
Sua sorte, seu desejo
Ninguém mais veio tirar
Então eu vendo o realejo
Quem vai levar

Estou vendendo um realejo
Quem vai levar
Quem vai levar
Quando eu punha na calçada
Sua valsa encantadora
Vinha moça apaixonada
Vinha moça casadoura
Hoje em dia já não vejo
Serventia em seu cantar
Então eu vendo o realejo
Quem vai levar


Estou vendendo um realejo
Quem vai levar
Quem vai levar
Quem comprar leva consigo
Todo encanto que ele traz
Leva o mar, a amada, o amigo
O ouro, a prata, a praça, a paz
E de quebra leva o harpejo
De sua valsa se agradar
Estou vendendo um realejo
Quem vai levar
Quem vai levar...








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