sábado, março 15, 2003
Anúncio de Jornal:
Mulher bonita, inteligente na faixa dos 50kgs (eu tenho 1,63 para tranquilizá-los) PROCURA:
HOMEM QUE GOSTE DE MULHER, SEJA MACHO E QUE SAIBA ABRAÇAR, DAR APOIO MORAL EM HORAS DE NECESSIDADE E PRINCIPALMENTE NÃO FAÇA MUITAS PERGUNTAS.
Os interessados me liguem, mandem sinais de fumaça, mande e-mail ou deixem comentários aí mesmo que tá valendo.
quarta-feira, março 12, 2003
Guerra Santa
Uma guerra, com dia e talvez até hora marcada, está para começar. Não há como me distanciar deste acontecimento, ainda que eu prefira assitir "novela" a noticiários, afinal a região a ser atacada faz parte da minha História, da minha vida.
Essa guerra, tal qual a guerra do golfo, e as escrevo com letra minúscula, pois recuso-me a dar status para um acontecimento trágico, parece mais um filme "made for TV", como tantos feitos sobre a do Vietnã. Eles marcam data e hora para começar, a CNN transmite em tempo real para todo mundo e as pessoas vibram ou viram os olhos para não ver os mortos.Posso até ver os americanos assistindo os ataques em suas lanchonetes de beira de estrada, comemorando a cada bomba como se fossem enterradas do Michael Jordan. E do outro lado, na Europa, Blair vibrando, com seu grito abafado, para os ingleses, que tendo uma maior consciência, não fiquem ainda mais revoltados contra seu ministério.
E o mais inacreditável é que pessoas irão morrer em nome de Deus. Duas nações irão se enfrentar com pré-supostos distintos, mas com postos iguais.
De um lado temos um ditador que usa o nome de Deus para ser deus. Um homem que levou um país à miséria e estampa a sua foto em toda e qualquer lugar, utilizando-se da fé de um povo e transformando-a em Fanatismo. Do outro, um homem que adoraria fazer o mesmo, contudo é impedido por uma tal democracia, que podemos chamar de "presente de grego", em que se respeita apenas o direito de ir e vir dos norte-americanos-ricos. Dois homems que tentam ser deus, usando o nome de Deus. Aqui a frase de Nietzsche cabe perfeitamente, pois "o homem cria Deus a sua imagem e semelhança" e o deles é igualzinho a eles.
Nunca li no Al Corão, e olha que já o li inteiro, que os seguidores do islamismo deveriam ser escravizados por sua religião. Também, não li na Bíblia, e já li inteira também, que os Cristãos, e os EUA se dizem um país protestante cristão, precisam matar aqueles que não acreditam nele. Contudo, ambos livros sagrados contêm o velho testamento, o que pode dar liberdade aos atos de ambos ditadores, pois vigança, "olho por olho e dente por dente", é uma das leis.
E em nome da fé mata-se pessoas. Em nome da Dinastia Bush (pai e filho), volta-se a atacar o Golfo Pérsico, pois da primeira vez houve meia vitória. Libertaram o Kwait, mas não tiraram Sadam. E, em nome do deus maior, o dinheiro, ou o ouro negro, milhares de pessoas pagarão por acreditarem, por terem fé.
O deus que rege, então, é o Poder, afinal, se o poder tem face, esta é a do dinheiro, no caso o petróleo. E o mais estranho de tudo é que além de pessoas, o meio ambiente será afetado, o mar será tomado pela face atual do deus dos homens que irão guerrear e parafraseando o Greenpeace: o dia em que não sobrar rios, peixes, plantas é que as pessoas vão entender que Poder (dinheiro) não se come. E sem comida, não há vida para gastá-lo, mesmo que só sobrem as deles, ou as de seus "deuses".
terça-feira, março 11, 2003
Pequenas coisas que nunca contei
(Eu sei que ultimamente tenho escrito muito, mas é que preciso manter-me acordada, vocês sabem o motivo. )
Então, eu falei que não vendia, né? Pois houve uma época que eu vendia e bem! Eu vendia pão!!!
Trabalhei em uma padaria comunitária e minha função era atender as pessoas e ficar no caixa. Às vezes ajudava no preparo dos pães. Sovava a massa, bolava (aqui bolar é transformar a massa em bola, viu?) e depois colocava na cortadora.
Sim, galera, eu sei fazer pão francês, sei fazer pão caseiro também e sei fazer sonhos. Entre outras coisas.
Meu trabalho, porém, era mais no atendimento e no caixa. E lembro-me de algo interessante para contar:
Eu trabalhava de segunda à segunda, durante a semana na parte da tarde e aos finais de semana na parte da manhã. Tinha 17 anos na época.
Um dia me pediram pra entrar na parte da manhã, porque o rapaz iria faltar. E lá fui eu às 4h da manhã para a padaria, ajudar no preparo e esperar dar 6 horas para atender o povo. A fila da manhã era enorme, dobrava a esquina, pois o pão era o mais gostoso da região e também o mais barato. Em um determinado momento o saco para colocar 8-10 pães acabou, já que era a quantidade mais pedida, e eu tive que ir ao depósito buscar mais. Sabem como é, sacos de farinha e papéis juntam ratos... Embora limpassemos diariamente e chamassemos a equipe de desratização (hã? -era assim que eles chamavam, não me culpem...), os ratos apareciam. Então, lá estava eu, baixinha, em cima de um banquinho pegando os sacos de papel, quando um rato cai em cima da minha cabeça. Dou um grito abafado. As pessoas não poderiam saber, né? Fico branca, completamente branca!
Ao sair para atender as pessoas, um dos clientes diz:
- Que foi, menina, viu um rato?
- Não... foi nada, não.
- Pode falar, eu também já fui padeiro.
Dei um sorriso, meio sem graça, e atendi as pessoas. A fila que geralmente terminava às 11 horas da manhã, naquele dia acabou às 9h. O rato havia caído na minha cabeça às 8h. Atendi as pessoas com uma rapidez incrível. Pegava os pães, fazia o caixa com uma habilidade que nem eu imaginava que tinha.
Terminei tudo, fui ao posto médico que ficava na comunidade mesmo para ver se precisava fazer alguma coisa e depois lavei meu cabelo no salão que também ficava ali, pois havia curso de cabeleireiro no local. A padaria também mantinha curso de panificação e confeitaria.
O mais engraçado é que além das pessoas não perceberm o por quê da minha habilidade e rapidez, eu fiquei com a fama de "a moça rápida dos pães". Sempre que se formava uma fila grande, as pessoas perguntavam ao zelador da comunidade:
- Onde está a moça? Ela é tão simpática e tão rápida. Com ela a gente não fica nem dois minutos na fila.
Até hoje algumas pessoas lembram de mim por causa da minha temporada na padaria. Sinto saudades. Fiz amigos lá. O meu melhor amigo eu fiz lá. Aliás, nos conhecemos porque ele foi ver a moça que antendia antes de mim. Uma gata. Morena, alta, linda. Todos falavam dela e ele foi tirar a prova. Mas quando chegou, ela já havia saído e ele encontrou-me no lugar. Tadinho, deve ter sido a maior decepção. Foi atrás de uma morena, alta, cabelo liso curto e gostosa pra caramba e achou uma baixinha, branca, cabelo encaracolado comprido e gorda.
AAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!
Juro que quando tudo isso passar eu vou dormir por 5 dias seguidos!!!
Enquanto isso, vou me tornando bicuda sem cheirar cocaína. Cara, eu tô até andando pra lá e pra cá, fazendo caretas esquisitas e mexendo as mãos em movimentos ridículos e sem sentido.
Mas tudo isso deve fazer parte de um movimento de purificação da minha alma em que eu me tornarei um ser evoluído, capaz de viver sem dormir, sem sexo, sem comer e sem a minha foto na carteira de ninguém.
Amém.
domingo, março 09, 2003
Amor de Bombom
Para Bianca
Acordaram juntos naquela manhã. Ela já havia desistido, mas o convite veio:
- Vamos ao café ali da esquina?
- Quer beber logo de manhã?
- Não, né? É pra tomarmos café juntos.
- Juntos? Assim, tipo, namorados que tomam café juntos?
- É. Assim, tipo namorados que tomam café juntos.
- Passeiam de mãos dadas?
- É, pode ser...
- Você vai me beijar na frente da garçonete?
- Por que na frente da garçonete?
- Porque ela não acredita que a gente tá junto.
- E por que ela não acredita?
- Ah, você nunca nem pega na minha mão.
- Você sabe que me sinto constrangido.
- Tá, eu sei...mas vai me beijar na frente da garçonete?
- Vou te beijar na frente da garçonete.
Ela retirou da bolsa uma foto 3x4 e um pedaço de papel que parecia estar ali há anos. Com um imenso sorriso nos lábios entregou a ele.
- Pra que isso?
- A foto é pra você colocar na carteira e no papel está escrito o "Soneto da Fidelidade". Tenta decorar tá?
- Que papo esse? Não estou entendendo nada...
- Ah, é pra você recitar pra mim...
- Tudo bem, é um exagero, mas tudo bem. Então, vamos?
- Vamos, mas acho que preciso beber, vou me sentir um tanto ridícula se estiver sóbria, que tal irmos antes ao boteco do Chico ?
Tem gente que faz a diferença..."
ROSA JULIETA, EU TE AMO.
Pode apostar que eu já vesti a armadura e tô limpado a espada.
Desculpem a "interna", mas é que não dá pra explicar e também não estou conseguindo falar com ela.

