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Somos seis amigos de estados diferentes, mantemos um blog para nos comunicarmos e expressarmos nossos pensamentos.

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segunda-feira, agosto 11, 2003

 
Nossa nova Casa







quarta-feira, julho 16, 2003

 
Paranóica, eu?


Quando eu era criança, ou melhor, quando tinha menos idade, eu sofria da síndrome de Deus. Estudava em um colégio religioso e era obrigada a ler a Bíblia toda semana. Como ainda estava na quarta-série, estava no início dela, ou seja no segundo livro do pentateuco, o êxodo,em que Deus falou para Moisés que tudo era pecado. E o Deus matava e castigava todo mundo que fizesse coisas más.
Eu só sabia o que eram essas coisas más pelos meus professores, porque minha mãe sempre me disse que se eu contasse tudo para ela, estava fazendo direito e aquilo que ela havia me dito para não fazer era porque eu iria me machucar ou algo assim. E contando para ela, não receberia castigo, porque assumi meus atos e ela iria me apoiar e me ajudar.
Mas meus professores falavam que tudo era pecado e sempre que começavam as aulas, nós tínhamos que cantar uma música mais ou menos assim:

Cuidado mãozinha o que pega
Cuidado mãozinha o que pega
Pois o Salvador do céu, está olhando pra você
Cuidado mãozinha o que pega.

Cuidado pezinho onde vai.
(...)
Cuidado boquinha o que fala
(...)
Cuidado ouvido o que ouve
etc...

Depois que cantávamos, a professora dizia que Deus estava vendo tudo e estava em todos os lugares que íamos. Eu tinha medo Dele. E era sempre aquela coisa: se você falar palavrão, Deus castiga, Ele tá vendo, se você falar em sala de aula, Deus castiga, se você OUVIR um palavrão, Deus castiga, e por aí vai.
Eu tinha até medo de ouvir músicas. Não jogava mais futebol na rua, os meninos sempre falavam palavrões e eu não podia ouvi-los, porque, segundo o colégio, eu seria castigada. Tinha medo de brigar com meu irmão, porque além dele me bater (irmão mais velho), eu iria apanhar também do Deus. Não podia tomar refrigerante, café. Comer carne de porco, nem pensar, e de nenhuma espécie.
E assim, tornei-me uma criança apavorada. Achava que tudo era pecado, que tudo que eu gostava de fazer era errado e mesmo que eu contasse para minha mãe, não adiantaria, porque eu iria ser castigada.
Minha mãe, quando me pegou chorando de medo, me explicou que não era bem assim e disse que Deus fazia o mesmo que ela e que o pecado era fazer mau para os outros e para gente mesmo e eu estava pecando deixando de fazer as coisas que eu gostava.
Foi difícil de entender, ainda tenho medo de fazer certas coisas porque acho que estou vigiada.

Aliás, tem um mandamento lá que diz que não posso falar o nome de Deus em vão. Mas Deus não é o nome dele, é? Será que eu pequei?

Tá, eu sei, eu deveria processar o colégio. O único problema seria o que alegar? Medo de Deus?
Iriam mandar-me processar Deus também.
Hum... talvez seja uma boa idéia...





terça-feira, julho 08, 2003

 
Lembrança fria de um carinho.

Uma noite gelada. Uma blusa que causava alergia. Um pacote enorme de pipocas e um casal que me impedia de ver o filme.
Cidade dos Sonhos era o filme. Ouço Llorando e lembro da corrida para não perder o último metrô.

Outra noite gelada. Outra blusa que causava alergia. Nunca acerto, ou talvez eu seja mesmo um ácaro gigante. Oito mulheres era o filme. Cine Belas Artes. Sem pipocas dessa vez. Uma noite que terminou mais rápido. Os termômetros marcavam poucos graus. Lembro da corrida para fugir do frio.

Impressão de pressa. Encontros com pressa. E por quê? Sempre achei que tínhamos todo o tempo do mundo.






quinta-feira, junho 19, 2003

 
Meu Anjo

Quero falar do meu anjo. Quero falar com meu anjo. Na realidade gostaria de colocá-lo no colo, fazer um cafuné e ficar horas ao seu lado, nem que seja para ouvi-lo dizer sobre as maravilhas de Porto Alegre e a decadência de São Paulo.
Eduardo é um rapaz difícil. É quase tão paradoxal quanto eu. Ora se acha um cara brilhante, ora se acha o pior ser da face da Terra. Mostra-se tão seguro de si que até convence a maioria das pessoas, mas no fundo é um menino inseguro e perdido. Sinto-me um pouco mãe dele sim. Não vejo problema algum em sentir-me assim e ainda chamá-lo de anjo. Aliás, ele sempre me disse que quando eu o chamo de "meu anjo", ganho um ar maternal, pois a mãe dele o chamava assim.
Apesar do ar de desprotegido, ele também me ajudou muito durante esses três anos que nos conhecemos. Quando eu tinha um pesadelo, era como se ele adivinhasse e ficava online no icq me esperando para que eu pudesse conversar com alguém. Era como se segurasse minha mão e dissesse: "calma, foi só um sonho ruim." Era o anjo que me protegia dos seres maus que invadiam meu sono.
Às vezes eu penso que seria melhor tê-lo conhecido em outra época. Não foi um momento bom da minha vida, tudo estava de pernas pro ar, eu mal tive tempo de olhar direito para ele, de mostrar os lugares que eu costumo ir, de falar sobre como algumas coisas, dessa cidade cheia de defeitos, me encatavam. Contudo, como escolher um outro momento para um anjo me visitar? Anjos chegam nas horas mais difícies, eles são enviados para nos carregar, nos abraçar e mostrar que mesmo tudo estando ruim, mesmo nos sentido sozinhos, às vezes, não estamos e somos muito amados. E foi exatamente o que Eduardo fez: mostrou-me o quanto eu sou amada, o quanto sou importante para alguém e que ele está próximo, não importa onde ele esteja.
Eu queria ter sido uma anfitriã melhor, gostaria de demonstrar mais todo meu amor por ele e dizer o quanto é importante a sua existência em minha vida. Se sem Gala, Dali não era Dali; sem Ed eu não sou Luar. Definitivamente não, pois graças a ele eu conheci o meu sobrinho e a Fabiana. Foi por causa do meu "pseudonamorovirtual" com Ed Mort que todas essas pessoas maravilhosas das quais falei nesse blog, entraram na minha vida. Se não o tivesse conhecido naquela noite em que eu, o GS, o Davi e ele, fundamos a SALPA (Sociação Atlética dos Lésbicos de Porto Alegre), eu não teria mais voltado naquele chat. Eu já havia feito meu trabalho e achava esse "negócio" de internet coisa de nerd que não tem mais o que fazer. Porém, Eduardo me mostrou que esse negócio de internet aproxima pessoas que jamais se conheceriam se não existisse esse meio de comunicação.
Quantos momentos bons passamos juntos, mesmo sem nunca termos nos visto. Eu não sabia como era meu anjo, só sabia que ele era gigante. Gigante em tudo: no tamanho, no coração e na alma. E foi por isso que, mesmo sonolenta, de pijamas, com o cabelo na cara, o reconheci assim que ele apareceu no portão de desembarque. Eu sempre senti meu anjo, sempre o tive ao meu lado.
Uma vez, na nossa briga histórica, no chat de cinema do Terra, em que eu simulei uma cena de ciúmes e até a Fabiana acreditou na nossa brincadeira, Ed Mort disse para Luar que quando nós morressemos, Deus iria falar para ela: "O que vocês estão fazendo separdos? Eu o criei para você". Tá certo que era uma brincadeira, ninguém nasce especialmente para um outro alguém, afinal, seria muito injusto nascer para uma pessoa. Contudo, Ed Mort nasceu para Luar e Luar para Ed Mort. Acho que criei essa personagem para conhecê-lo e através dele conhecer pessoas maravilhosas. E há uma parte de mim, da Niti, apelido que tornou-se meu nome praticamente e só pessoas que fazem parte da minha vida me chamam assim, nasceu para Eduardo. Há uma parte de mim que só aparece quando ele está por perto. Essa Niti sorri, porque sabe que ele irá sorrir sabendo disso. Essa Niti é forte, segura de si e até um pouco ciumenta. Pois é, duas pessoas, além da minha mãe, conseguem fazer com que eu sinta ciúmes: Eduardo e Fabiana . Mas não é ciúmes que a gente tem porque não quer ver o outro gostando de alguém. Não é isso, o meu ciúme do Eduardo é um receio de que o meu guri se esqueça de mim, afinal, há uma distância tão grande nos separando. Além da distância geográfica, agora também tem a distância de horários.
Só que esse receio passa logo, pois mesmo estando há um tempão sem falar com ele, se nos encontramos na net eu já recebo logo uma mensagem escrita: "AMOR!!! Saudades..." - ou então um telefonema dizendo o mesmo.
Eu sinto uma saudade eterna e ao contrário do que o sobrinho pensava, o nosso tão adiado encontro não fez com que eu matasse essa minha saudade. Pelo contrário, fez com que ela aumentasse. Porém, eu ainda trago em mim o abraço apertado que ele me deu no dia da despedida. Ouço sua voz dizendo que essa viagem tinha sido a melhor falência da vida dele. Sinto seu abraço, sinto seu carinho e não tenho mais medo de dormir quando tenho um pesadelo, porque meu anjo está ali e mesmo que meus receios, vãos receios, eu sei, mas mesmo que eles se tornem verdade e eu perca o contado com Edu, tudo já valeu muito e os meus momentos são iluminados pela beleza do que aconteceu entre nós. Pela beleza dessa amizade que transcende tempo, espaço e sentimento.

Poema:
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás







sábado, junho 14, 2003

 
Meu sobrinho.

Quero falar do meu sobrinho. Quero falar com o meu sobrinho. Na realidade eu gostaria que hoje já fosse julho e a gente pudesse marcar um cinema juntos.
Meu sobrinho é uma pessoa inteligente, culta e nem parece que tem a idade que tem. Parece ter 15 anos.
Sinto-me ao lado de Sócrates quando passeamos. Ele com suas perguntas difíceis, eu, uma seguidora fiel de suas respostas inteligíveis. Conversar com Ricardo é passar horas agradáveis. É deslizar sobre o tempo. Deslizar de meia simulando patinação pelos concretos de São Paulo.
Estar com esse menino de olhos grandes que parecem estar desnudando a pessoa, sorriso meigo, voz suave, é perder a noção da realidade e decretar o absurdo como a única forma plausível de se viver. E é realmente um absurdo, pois a minha melhor amiga não entende como eu posso chamar de sobrinho um rapaz tão bonito e ainda por cima deixá-lo me chamar de tia na frente de qualquer pessoa.
Às vezes suas fãs me cansam. Começam a me encher o saco e conseguem me deixar com raiva de uma pessoa tão doce. Mas a raiva é do davidnorth, não do Ricardo, pois eu não o vejo mais como há 3 anos atrás. As concepções mudaram. Difícil explicar, mas ele deixou de ser o duende verde que toma conta do pote de ouro no final do arco-íris. Deixou se ser uma luzinha azul no icq, um nome no messenger, o sobrinho do chat do cinema do Terra.
Talvez, Ricardo, das pessoas que eu conheci na net, tenha se tornado o único a conseguir me fazer ser eu mesma. Deixar de ser Nice, Niti, Luar, Zilda e tantos outros pseudônimos. Ao seu lado, posso deixar meus sonhos incontáveis deslizarem pela boca. Posso fazer com que meus pensamentos tornem-se palavras. Posso dar importância às pedrinhas coloridas, aos prédios altos, ao céu cinzento. Posso responder no ato a uma pergunta, decidir que quero alguma coisa e desistir dessa coisa cinco minutos depois, sem preocupar-me com o espanto, ou mesmo, com a frase: "Você foi capaz disso"?
Ricardo nos dá a impressão de que somos capazes de tudo. Afinal, somos amorfos, não estamos aprisionados a conceito algum.
Com Ricardo, a frase "a primeira impressão é a que fica", não faz sentido algum, pois a cada encontro nos descobrimos outros.
Embora não o veja como um duende verde, quando ouço o verso "Like Peter Pan or Superman. You will come to save me", lembro-me dele. De certo modo, ele é o Peter Pan que umas duas vezes por ano vem me salvar. O Miguilim que vê tudo com olhar da inocência, o filósofo que enxerga além. O meu sobrinho que vê filmes cult comigo, conversa em "casinhas de metrô", sai correndo quando dá vontade e me chama de tia sem que eu veja problema algum nisso.
E não vejo problema nisso, porque meu sobrinho é um sonho. É um garoto lindo, inteligente e perfeito. Alguém que qualquer mulher gostaria de ter ao seu lado, porque tem todas as qualidades de um homem perfeito. Quando falo dele para alguém, meus amigos já dizem logo que ele só pode ser gay, porque não pode existir um rapaz romântico, bonito, inteligente, culto e que gosta de arte. Não há homem que consiga perceber a importância de um entrelaçar de mãos. Mas há e está, eu espero, chegando a São PAulo em poucos dias...
Li um poema hoje e achei que traduzia bem os nossos papos. Ele irá entender, embora possa parecer uma declaração. Mas se parecer uma declaração, não tem importância, pois eu "acho que estou sempre me declarando pra ele..."

Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.

A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.

Dorme, dorme. dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.


Fernando Pessoa






sábado, junho 07, 2003

 
Minha filha

Quero falar da minha filha. Quero falar com a minha filha. Na realidade, queria é estar sentada em algum lugar ao seu lado, olhando-a fixamente e conversando sobre tudo.
Minha filha é escorregadia, foge como o papaléguas, tão rápido que a maioria nem percebe que está fugindo. Mas eu sou uma mãe chata e reparo em tudo, reparo em seus detalhes mais imperceptíveis. Posso até sentir se algo aconteceu, mesmo ela estando há alguns milhares de Kms de mim.
Como é doce minha filhota, como é áspera, ao mesmo tempo é tão menina e tão adulta. Ela às vezes se diz "Macabéa", deixa-me feliz ao comparar-se a uma personagem da minha tão querida Clarice Lispector, contudo, não a acho Macabéa. Pra usar Clarice, talvez ela fosse a barata da GH. Vocês podem achar estranho eu estar comparando alguém que amo tanto a uma barata, porém, não estou sendo depreciativa na comparação. Fabi é assim, fica olhando pra gente e nos causa alucinações. Incomoda, parece estar ali, mas não está. Parece não estar, mas está.
Fabi é uma pessoa que veio pra incomodar, mas ainda não percebeu isso. Não entendeu que pode, como ninguém, incomodar quando quer. Pode mudar a concepção de mundo de quem quer seja. Desde de uma criança de 2 anos a dois "marmanjos" como eu e o Márcio.
Se eu fosse Werther e escrevesse cartas sobre meus sentimentos, certamente, Fabiana seria meu destinatário. Se eu fosse Marco Polo, Fabiana seria Kubla Khan. Eu conto para Fabiana tudo que vivi, estórias sobre minha vida, sobre minhas burradas e minhas bebedeiras e é como se ela anotasse tudo, lembrasse de tudo e vivesse, muito mais que eu, todas as minhas estórias. Fabi aos seus 18 anos, quase 19, viveu meus 26 anos. Sabe e lembra de cada detalhe. Até as minhas frases jogadas, ela lembra, poderia fazer um livro de citações minhas.
Minha doce menina não demonstra muita empolgação quando mando algum texto meu, mas depois fico sabendo que todas as suas amigas do colégio já leram. (Fico pensando que se os editores soubessem disso, talvez publicassem os meus escritos...).Dou esse exemplo, porque nos sentimentos ela é assim: não demonstra muita empolgação, não consegue falar o quanto ama a gente, com exceção do Márcio que ela faz qüestão de ressaltar seu amor por ele, mas eu nem tenho mais ciúmes. Contudo, aos poucos você vai percebendo o quanto é importante na vida dessa menina, o quanto ela gosta de você, apesar de achar que você é um ator contratado pelo Terra.
Queria que o tempo voltasse e eu a encontrasse novamente, na mesma estação de metrô. Como sinto falta daquele abraço carinhoso, do jeitinho que ela disse: "Quando vi uma moça olhando pra tudo quanto é lado, pensei, é ela!"
Tinha sido um dia terrível. O dia inteiro no Hospital pra receber uma notícia ruim. O dia inteiro ligando pra casa da tia dela para tentar esquecer da minha vida um pouco. Fui ao seu encontro meio que de improviso. Falei para o meu tio: "Me deixa no metrô." - olhei para minha mãe e com os olhos cheios de lágrimas, disse: "Desculpa, tá difícil ser filha hoje, tá insuportável ser Niti, preciso ser mãe um pouco, preciso ser Luar.".
Atravessei a rua sem olhar para os lados, entrei no metrô sem perceber se era o correto. Cheguei à estação combinada sem me dar conta do que estava fazendo, do que iria acontecer, do que deveria falar...
Na hora em que eu vi uma garotinha magra, de óculos, sorriso de criança, tudo que eu sentia mudou. Senti como se eu de Luar passasse a estrela e desse a luz. Sim, eu fui mãe numa estação de metrô. Pari uma garota de 18 anos, mais alta que eu, mas que para mim era um bebê. Um bebê que eu deveria proteger desse mundo mau e dessa cidade opressora. Deveria mostrar-lhe apenas as coisas boas da cidade opressora, mostrar-lhe que havia beleza nas coisas mais estranhas. Beleza em um boteco da Augusta, traduzida na simpatia de um garçon. Beleza num prédio que parece um ralador de queijo, mas que tem uma gibiteca. Beleza nos devaneios de uma paulistana triste, de olhos tristes e vida complicada. Beleza nos detalhes.
Então, deixo um poema da Cecília Meireles, feito a Mário de Andrade que poderia ter sido feito por mim para a Fabiana. Para mostrar-lhe a beleza que ela é, "mas não sabe, porque não me escuta."

SEGUNDO MOTIVO DA ROSA

Por mais que te celebre, não me escutas,
embora em forma e nácar te assemelhes
à concha soante, à musical orelha
que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
oferece às vespas e às abelhas.

E a quem te adora, ò surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!

Sem terra nem estrelas brilhas, presa
a meu sonho, insensível à beleza
que és e não sabes, porque não me escutas...










sábado, maio 31, 2003

 
Tirando as teias de aranha.

cof cof...

Casa abandonada, cheia de poeira... Ninguém aqui?
Filha?
Meu genro?
Sobrinho?
Edu?
Marcoréio?

Acho que não tem ninguém, vou colocar meu CD da Elis no último volume, acender um cigarro e deitar na rede. Se alguém chegar, estou aqui na Varanda, venha papear comigo.

Ah, eu fiz bolo de fubá, tá na mesa... E tem suco de Maracujá na geladeira...





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